Uma profissão com má fama
Nos filmes, o contador é o personagem cinzento que aparece para dizer que não há verba. Na história real, os livros de contas estiveram no centro de incêndios, julgamentos e escândalos que deram a volta ao mundo. Estas quatro histórias são documentadas, e cada uma deixa uma lição que qualquer dono de negócio pode aplicar na segunda-feira.
O parlamento que pegou fogo por causa de bastões de contagem
Durante séculos, o Tesouro inglês registrou os pagamentos em bastões de aveleira. Cada bastão levava entalhes de tamanhos diferentes conforme o valor e era partido no comprimento: quem pagava ficava com uma metade, chamada stock, e o Tesouro com a outra. Para conferir um pagamento, bastava juntar as duas metades e ver se os entalhes coincidiam. Era um sistema quase impossível de falsificar.
Em 1826 o sistema foi abandonado, e em Westminster sobraram duas carroças de bastões velhos. Em outubro de 1834 alguém decidiu se livrar deles queimando-os nas estufas que havia sob a Câmara dos Lordes. As estufas superaqueceram e, no fim da tarde de 16 de outubro, o fogo se espalhou. Naquela noite queimou quase todo o Palácio de Westminster; salvou-se o grande salão medieval, Westminster Hall. O palácio que hoje se vê à beira do Tâmisa, com a torre do Big Ben, foi construído depois. Anos mais tarde, Charles Dickens contou a história em um discurso como exemplo da insensatez da burocracia.
A lição: registros antigos também precisam ser administrados. Saber o que guardar, por quanto tempo e como descartar o que sobra faz parte da contabilidade.
O gângster que caiu por causa das contas
Al Capone controlou por anos o contrabando de bebidas em Chicago e nunca pôde ser condenado pelos seus crimes mais violentos. Em 1931 foi condenado por sonegação de imposto de renda e sentenciado a onze anos de prisão. O caso foi construído por agentes do Tesouro americano, que reconstruíram a sua renda a partir de livros de contas apreendidos e do que ele gastava.
A lição: o dinheiro deixa rastro, e os livros dizem a verdade mesmo quando alguém não quer. Livros em ordem protegem a empresa honesta tanto quanto denunciam a que não é.
O envelope trocado do Oscar
Desde 1934, a firma de contabilidade Price Waterhouse, hoje PwC, apura os votos do Oscar e guarda os envelopes com os vencedores. Na cerimônia de 2017, um dos seus sócios entregou a Warren Beatty e Faye Dunaway, por engano, a cópia do envelope de melhor atriz no lugar do de melhor filme. Dunaway leu “La La Land”. O vencedor era Moonlight. O erro foi corrigido no palco, diante de milhões de espectadores, com a equipe do outro filme já comemorando.
A lição: a contagem foi impecável; falhou um passo de controle, na entrega do envelope. Na contabilidade, um bom processo também precisa de um bom controle no último passo.
A lei que denuncia números inventados
Pegue todas as notas de um ano e olhe só o primeiro algarismo de cada valor. Seria de esperar que o 1 aparecesse tanto quanto o 9. Não é assim: em muitos conjuntos de dados reais, cerca de 30% dos números começam com 1 e menos de 5% com 9. O astrônomo Simon Newcomb notou isso em 1881 e o físico Frank Benford o comprovou em 1938 com milhares de dados; hoje se chama lei de Benford.
Os auditores a usam para detectar números inventados: quem inventa números costuma distribuir os primeiros algarismos de forma uniforme demais. Ela não prova uma fraude sozinha, mas indica onde olhar.
O que elas têm em comum
Um bastão partido, um livro apreendido, um envelope e uma lista de notas. Nas quatro histórias, o decisivo foi um registro: a sua confiabilidade, o seu controle ou o seu destino. Contabilidade não é só somar; é deixar registro de um jeito em que os outros possam confiar.
Onde entra o Aconta Online
O Aconta Online aplica a cada lançamento os controles que faltaram nessas histórias: recusa o que não fecha, nunca edita um lançamento registrado, guarda cada correção como um estorno com a data e quem a fez, e permite baixar todos os seus dados quando você quiser. A primeira empresa é grátis, sem cartão.
Perguntas frequentes
É verdade que um incêndio no Parlamento britânico começou por causa da contabilidade?
Sim. Em outubro de 1834 foram queimados nas estufas da Câmara dos Lordes os bastões de contagem que o Tesouro não usava mais, e o fogo destruiu a maior parte do Palácio de Westminster.
Por que Al Capone foi condenado?
Por sonegação de imposto de renda, em 1931. Agentes do Tesouro reconstruíram a sua renda a partir de livros de contas apreendidos e dos seus gastos.
O que é a lei de Benford?
É a observação de que, em muitos dados reais, os números que começam com 1 são muito mais frequentes que os que começam com 9. Os auditores a usam para detectar números que podem ter sido inventados.
